Bola no Corpo

Em 2010, Coxa constrói acesso sem a sua piazada

Parece pouco provável que o Coritiba tenha uma recaída daqui até o fim da Série B que impeça o seu acesso. Caso a lógica se confirme, será a terceira promoção do clube em 15 anos – sinal, também, de que o Coxa tem passado mais tempo do que deveria longe da Primeira Divisão. A campanha deste ano, porém, tem uma diferença marcante em relação a 1995 e 2007: não há uma forte presença de jogadores da base no time titular.

A equipe vice-campeã de 95 tinha três titulares formados no próprio clube. Alex era o maior expoente, havia sido puxado para o profissional naquele ano mesmo por Paulo Cezar Carpegiani. Paulo Sérgio e Pachequinho, de gerações anteriores, também eram pratas da casa.

Uma presença simbolizada na construção do placar que ratificou o acesso. Os gols do 3 a 0 sobre o Atlético, no 13 de dezembro de 1995, foram marcados por Alex, Auri e Pachequinho, três piás do Couto Pereira. Auri era o reserva imediato de Gralak e Zambiasi. E ainda havia Daniel,  Dirceu, Vilmar, Jétson, jogadores formados no clube que de alguma forma contribuíram para aquele acesso.

No título de 2007 a presença da piazada do Couto Pereira marcou a campanha do título. Keirrison, Henrique e Pedro Ken eram os expoentes. Mas Marlos deu contribuição importante, decidiu jogos. Hugo e Rodrigo Mancha também deram sua participação. O time ficou muito mais marcado por esses garotos do que por veteranos como Edson Bastos, Anderson Lima e Caíco, que também tiveram sua importância.

Na mão inversa está a equipe de 2010. Será o Coritiba de Rafinha, Edson Bastos, Leo Gago, Leonardo, Pereira, Marcos Aurélio, todos jogadores que chegaram prontos e rodados ao Alto da Glória. Lucas Mendes é o garoto que mais participou da campanha até aqui, mas nunca como protagonista e hoje já não mais como titular. Denis, Fabinho Souza, Dirceu e William têm participações esparsas. Lelê e Wanderson às vezes aparecem no banco, nada mais do que isso.

E o mais curioso é que o técnico do Coritiba, Ney Franco, acaba de ser escolhido para treinar a seleção brasileira sub-20 e coordenar as categorias de base da CBF. Claro, Ney tem um histórico de respeito na base, mas no Alto da Glória ele tem olhado pouco para baixo.

Há algumas possíveis leituras que explicam essa omissão. Quando chegou, ano passado, Ney tinha que evitar o rebaixamento do clube no ano do centenário. Natural recorrer aos mais experientes. Neste ano, a necessidade de cumprir parte da campanha sem jogar em casa também recomendava o uso de gente mais tarimbada – e isso fica claro nas contratações prontas feitas ao longo do ano, como Leonardo, Tcheco, Andrade ou Léo Gago.

O que mais pesa, porém, é que o Coritiba não conseguiu formar uma boa geração imediatamente após a subida da piazada de 2007. Rui, Tiago Real e Lucas Mendes são os poucos que “se salvaram” na turma de 2008/2009. As aspas realçam a limitação técnica.

Luccas Claro, Molina, Timbó, Andrezinho e Jânio têm tudo para, em breve, reencontrar os companheiros Dênis e Fabinho Souza. Ao que tudo indica, na primeira divisão, e não para formar mais um grupo de garotos para tirar o Coritiba da Série B.

This entry was published on 1 de outubro de 2010 at 3:13. It’s filed under Minha planilha que não falha, Videogol and tagged , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.