O Paraná enfiou-se em um buraco que só lhe resta vender a alma. Guto de Mello assumiu essa possibilidade ao dizer que a diretoria admite terceirizar o departamento de futebol.
Primeiro que o tema é tratado como se não fosse uma realidade na Vila Capanema. Desde 2003 o Paraná entrega seu futebol a parceiros, em maior ou menor grau. Até as categorias de base foram arrendadas. Sérgio Malucelli, L.A., Base, Amaral Sports, todos passaram por ali, conseguiram seu lucro e deixaram o Paraná um pouco mais fraco.
A tendência é só piorar. Afinal, que tipo de empresa vai assumir o departamento de futebol de um clube que há três anos está estacionado na metade de baixo da classificação da Série B? Certamente não será um parceiro que só colocará craque no Tricolor. Longe disso.
A outra opção é recorrer a um mecenas, alguém apaixonado pelo clube com grana suficiente para ajustar as contas a fundo perdido. O problema é que essa tentativa já foi feita ano passado, com o anúncio da Revolução Tricolor. O grupo ofereceu um bem servido almoço em Santa Felicidade, fez discursos inflamados e morreu por ali. Aramis Tissot e Renato Trombini seguiram em frente. O primeiro afastou-se essa semana; o segundo, até colocou bastante dinheiro, mas foi até um certo limite.
Apesar disso tudo, não concordo com Mário Celso Petraglia, que disse ao companheiro Cahuê Miranda que o Paraná não tem solução. Não há solução apenas se o Tricolor sonhar em reeditar os anos 90. Isso, lamento, será quase impossível. Comparo ao Atlético, que estava em uma situação pior em 95, ou ao Coritiba, que desmoronou para a Série B ano passado. Para os dois a recuperação é mais fácil, pois a “clientela” é maior. Há mais torcedores dispostos a ir ao estádio, a consumir o clube. A torcida paranista é estatisticamente menor e comparece em massa à Vila Capanema com periodicidade de cometa.
A saída para o Paraná é assumir o papel que é possível a ele no futebol atual. De time pequeno nacionalmente, com perfil para passar a maior parte do tempo na Série B. Quando tudo dá certo, sobe. Quando tudo dá errado, cai. Há dúzias de times europeus que vivem bem com essa situação. A redução das duas principais divisões do Brasil para 20 clubes leva à formação natural dessa classe C.
Para se posicionar na classe C+ (talvez B-), o Paraná precisa resgatar gradativamente o comando da sua vida. Reassumir a formação de jogadores, fazer um trabalho sério lá capaz de formar um time competitivo em pouco tempo, que renda um bom piá para ser vendido por ano. Com a torcida, é recorrer a campanha de marketing esperta e realista, que assuma a mudança de estágio do Paraná, valorize o orgulho do clube e mostre que somente com a participação ativa do torcedor (mesmo que seja os 3 mil de sempre), haverá alguma chance de retomar o passado cada vez mais remoto. Talvez ter essa consciência das suas possibilidades atuais seja o primeiro passo para o Paraná deixar de encolher.