Confesso ter ficado feliz e duplamente satisfeito com os dois gols do Lucas contra o Iraty. Parte da satisfação, admito, é pessoal, quase mesquinha. Escrevi sobre o cara sugerindo que as pessoas fossem ao estádio vê-lo e ele faz dois gols. Passa aos leitores a impressão de “Nossa, esse cara sabe muito”. Bobagem pura. Escrevi que valia a pena ver Lucas somente por tudo o que ele representa para o Atlético. Eu não apostaria um dólar no doblete de Lucas. Também continuo tendo dúvidas da eficiência dele contra adversários mais fortes. Mas, enfim, eu escrevi e calhou de ele fazer dois gols. Jornalismo muita vezes é sorte.
A outra parte da satisfação é pelo Lucas em si. Boa praça, sempre atencioso com torcedores e imprensa. Não é de recusar entrevista e autógrafo. E mostrou, ontem, que continua não negando fogo quando a bola cai no seu pé dentro da área.
Lucas não tinha nem 10% do cartaz atual com a torcida do Atlético quando foi disputado o primeiro jogo oficial da história da Arena, dia 31 de julho de 1999. O adversário era o Flamengo de Romário, pelo Campeonato Brasileiro. Na semana da partida, perguntaram a Clêmer, goleiro do Fla, se ele se preocupava com Lucas, o camisa 9 do Furacão. “Não sei quem é Lucas”, respondeu o goleiro, já naquela época dono de uma respeitável coleção de frangos que só aumentou nos anos seguintes.
Não lembro se a resposta passou no Globo Esporte, ou chegou aos ouvidos do Lucas pelo pessoal de rádio. O certo é que Lucas ficou sabendo e guardou a provocação disfarçada de menosprezo na memória. Quando fez o segundo gol do Atlético, correu para a câmera da Globo e gritou: “Eu sou o Lucas! Eu sou o Lucas”. O Furacão venceu por 3 a 2 e Clêmer nunca mais esqueceu quem era o camisa 9 da Baixada.
Vc achou mesmo que o carrinho do paranista era caso de expulsão? Ele passou do lado e acertou o jogador do coxa com a barriga….