Bola no Corpo

Kerlon no Paraná traz uma certeza e várias dúvidas

A única certeza sobre a contratação de Kerlon pelo Paraná é que já funcionou como marketing. O Foquinha esteve entre os assuntos mais comentados do Twitter no Brasil e todos os sites de notícia deram o acerto dele com o Tricolor. Será assim também quando ele estrear, fizer gol, der o famoso drible da foca. Segundos, centímetros e bytes gratuitos de boa divulgação para o clube. Fora isso, tudo é incerteza. A começar – e principalmente – pela questão mais crucial de todas: Kerlon está apto a jogar?

Kerlon foi um desses garotos-prodígio que entraram antes do tempo na roleta-russa do futebol. No sub-17 criou o drible que transformou-se em marca registrada. A partir dali teve sua promoção ao time profissional do Cruzeiro praticamente imposta pela torcida e pela imprensa. Dali foi para o Chievo. Então para a Inter. Depois para o Ajax. Tudo baseado na suposição de que Kerlon viraria um craque. Sim, pois a única sequência de partidas longa de sua carreira foi em 2007, no Cruzeiro. Nem ele mesmo lembra qual foi seu último jogo. Apenas sabe que foi pelo Ajax, há seis ou sete meses. Era um amistoso de pré-temporada, pois jogo oficial mesmo ele não disputa desde 2009, pelo Chievo.

 

Encantados pelo drible da foca e pelos milhões que ele podia render, os dirigentes brasileiros e europeus não perceberam que Kerlon tinha uma pisada desigual, que impedia o seu corpo de absorver corretamente as pancadas dos zagueiros. Então vieram as lesões. Com elas as cirurgias. Cinco, que fizeram a carreira que apareceu para o mundo aos 17 anos quase fosse dada como encerrada aos 22.

 

Kerlon voltou para sua casa em Minas Gerais. No Centro de Excelência de Educação Física da UFMG, fez um tratamento para reequilibrar seu corpo, corrigir a pisada desigual. Em tese, volta aos gramados 100% apto a ter uma carreira normal. Embora seja claro que a longa inatividade, pelo menos no começo, deva cobrar a conta com lesões musculares esporádicas.

As outras dúvidas dizem diretamente à parceria com a Internazionale, responsável pela vinda de Kerlon. O presidente Aquilino Romani esclareceu pouco sobre o acordo. Disse apenas que o custo do jogador para o Paraná será ínfimo e que outros jogadores podem ser cedidos pelo clube italiano (ontem à tarde, havia quem dissesse, em tom de brincadeira, que Materazzi seria mandado ao Brasil para fazer a vendetta caso Kerlon fosse machucado por um adversário. Lógico, serão jogadores na situação de Kerlon, sem espaço no Meazza e precisando jogador. Contudo, uma série de questões ficou em aberto:

 

- É uma parceria formal, com contrato, cláusulas e período de duração ou apenas um acordo verbal?

- Qual o prazo de contrato de Kerlon: seis meses, um ano ou os dois? (Explico: contrato até o fim do ano, mas com uma cláusula que obrigue o Paraná a liberá-lo no meio do ano caso jogador ou Inter prefiram assim)

- O que a Internazionale levará em troca? O clube italiano terá preferência na contratação de jogadores das categorias de base, único “patrimônio de chuteiras” do Tricolor?

- A proposta que o Paraná fez para Kelvin tinha como atrativo uma transferência para a Europa no meio ou no fim do ano. Era para a Internazionale?

 

Dúvidas que, quando esclarecidas, permitirão saber com mais clareza o quanto ver Kerlon dando o drible da foca com a camisa tricolor realmente trará de benefício ao clube.

This entry was published on 25 de janeiro de 2011 at 4:21. It’s filed under Por dentro dos fatos..., Videogol and tagged , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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