Quando decidi dar um prazo de cinco jogos para analisar o Paraná, tinha a esperança de poder fazer uma boa avaliação da equipe. Dizer que as indicações de Roberto Cavalo foram precisas. Que a política do bom e barato triunfou. Que o Tricolor, do nada, montou um time capaz de rivalizar com os endinheirados (para os padrões locais) Atlético e Coritiba. Que havia claramente uma base para, com alguns reforços, brigar pelo acesso no Brasileiro. Que Aquilino Romani realmente estava certo ao dizer com um milhãozinho a mais o clube teria subido.
Cinco jogos passaram e o cenário é totalmente oposto. Até Roberto Cavalo reconheceu que indicou jogadores que não deram certo, Paulo Matos à frente. O time atual, em média, é ruim e caro, pois custa dinheiro rescindir contrato e quando o jogador fracassou, parece que o valor é ainda maior. Antes de mirar em Atlético e Coritiba, o Paraná precisa é tratar de sair da vexatória zona de rebaixamento. Os reforços primeiro terão de tirar o time dessa situação, no mesmo esquema de testes valendo três pontos para tentar moldar o elenco da Segundona. E cada vez mais a declaração de Aquilino parece um número solto no meio de uma frase de impacto, porém cheia como uma bolha de sabão.
O mais alarmante dessa largada em marcha ré do Paraná é o retrocesso na qualidade das contratações. Nos últimos anos, sempre havia um ou outro jogador da coleção verão do elenco tricolor que era aproveitável, que ficava fazendo parte do time com status de titular absoluto. A fornada atual, nem isso permite. No máximo dá para tirar jogadores para compor elenco, mas ninguém que vá resolver os problemas do time.
É o resultado de um terrível ciclo vicioso. Sem dinheiro, o Paraná contrata mal, tem desempenho ruim, traz novos jogadores, perde mais dinheiro, contrata pior ainda, tem desempenho ruim, traz novos jogadores, perde mais um caminhão de dinheiro e por aí vai. Para romper esse ciclo, há apenas dois caminhos: acertar de maneira anormal na política do bom e barato ou subir uma geração pronta e talentosa. Sem dinheiro, tomar o primeiro caminho é quase impossível. Assim, mais do que nunca o Paraná precisa que o seu ninho seja repleto de ovos de ouro. Será que já é?
Este ano o Paraná vai ter que brigar para se manter na 2ª. Tem que começar o campeonato pensando em fugir do rebaixamento. Caso contrário vai descer mais um degrau…