Bola no Corpo

Por uma revolução verdadeira

E vamos dormir sem saber o que será do futuro paranista. Tudo bem. Aquilino Romani e toda a diretoria foram dormir na mesma situação. Aliás, qual foi a última noite em que Aquilino e seus companheiros foram para a cama com o futuro do clube cristalino na cabeça? Nem eles devem lembrar.

Mandar apenas Roberto Cavalo para a entrevista coletiva foi a resposta mais clara que a diretoria do Paraná deu em meio a esta fase da longa crise do clube. Os dirigentes não sabem o que fazer, estão perdidos. A espera até amanhã pela manhã, que poderia soar como um momento de lucidez para refletir melhor antes de tomar alguma decisão, nada mais é do que mal-disfarçada tentativa de empurrar o problema com a barriga à espera de uma solução milagrosa. Em uma palavra: desespero.

 

Ontem escrevi que Paulo César Silva deveria deixar o clube. É pouco. Ele nada mais é que um bobo da corte em um reino totalmente apodrecido. O primeiro a puxar a fila de saída deveria ser Aquilino Romani. Testemunhou de dentro as falcatruas do Professor Miranda e as barbeiragens administrativas de Aurival Correia sem se insurgir, sem dar um soco na mesa. Foi ingênuo, omisso ou condescendente, três características que o Paraná não pode admitir no seu presidente.

 

O momento é, de fato, de uma revolução na Vila Capanema. Não a revolução de cardeais cujo o conhecimento de futebol congelou nos anos 90. Nem a revolução que apenas embaralha e redistribui nomes que definitivamente não trouxeram nada de bom para o clube. Muito menos devolver o departamento de futebol para a L.A. – ou entregá-lo a qualquer outra empresa.

 

A L.A. está na origem da crise paranista, quando passou a receber percentuais de jogadores das categorias de base em troca de comida; no momento em que ela se tornou institucional, quando filmou com câmeras ocultas o Professor Miranda tentando achacá-los para facilitar negociações; e no ponto em que ela explodiu de vez, ao brigar com a B.A.S.E. para manter seus jogadores no elenco profissional, enquanto a outra parceira tricolor queria promover os juniores, os dois lados tentando defender o seu prato de farinha a todo custo.

 

O Paraná precisa de um soco na mesa, alguém com experiência e competência administrativa para varrer os amadores e aproveitadores da Vila Capanema e recomeçar o clube do zero. Algo que Petraglia fez no Atlético, Vilson fez no Coritiba. O Paraná precisa encontrar o seu salvador. Pois se continuar vivendo de remendos, só conseguirá chegar mais rápido ao fundo do poço.

This entry was published on 10 de fevereiro de 2011 at 1:47. It’s filed under Defesa arrojada, Por dentro dos fatos... and tagged , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

4 thoughts on “Por uma revolução verdadeira

  1. Leo, esse “revolucionário” não existe hoje. Porém, acho válido você saber do que está acontecendo internamente, diretamente ligado a um novo grupo de pessoas que entraram no clube. Porém, o processo de profissionalização não acontece do dia pra noite, principalmente num clube cheio de amarras. E, na relação gestão x futebol, sempre há um elemento intangível, que é o resultado do campo, que acaba encobrindo todo o restante. Internamente as coisas estão acontecendo. Obviamente não é uma revolução, mas é sim um Paraná Clube sob um novo ponto de vista. Em breve isso se refletirá no futebol. E se o campo não trouxer resultados, ao menos administrativamente as coisas estão se encaminhando. O que dá um resguardo importante – coisa que NUNCA existiu no clube.

    Um abraço!

  2. Pingback: Tweets that mention Por uma revolução verdadeira « Bola no Corpo -- Topsy.com

  3. Fernando T on said:

    tenho amigos paranistas – conselheiros inclusive – que já falam até em fechar as portas do dep. de futebol profissional, e voltar os objetivos do clube para a formação de atletas e para um futsal internacionalmente forte.

    é realmente triste ouvir isso. mas demonstra um admirável amor pela instituição e pelas cores do paraná clube. abrem mão do futebol, para que a instituição não feche as portas como um todo.

    • Que bobagem! 80% dos conselheiros funcionam como mero especuladores e, por isso, opiniões sem o menor sentido como essas. Aí vem à mídia, soltam que o conselho estuda acabar com o futebol e pronto.

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