Bola no Corpo

A terceira primavera de Kléberson

Kléberson teve dois períodos grandiosos na sua carreira. Dois momentos em que ganhou títulos, fama, idolatria e dinheiro.

O primeiro, entre 2001 e 2002, foi indiscutivelmente o melhor momento do Xaropinho nos gramados. Sagrou-se campeão brasileiro como o melhor jogador do Atlético, recebeu e agarrou a oportunidade de defender a seleção brasileira, teve papel fundamental na conquista do pentacampeonato – deu o passe para o gol de Ronaldo contra os belgas, iniciou a jogada do gol de Rivaldo diante dos ingleses, deu o passe para Ronaldo marcar o segundo contra os alemães.

O que Kléberson fez neste período de pouco mais de um ano o levou à foto logo acima. Ele é o primeiro brasileiro contratado para jogar no Manchester United. O coadjuvante da sua apresentação, em 2003, era Cristiano Ronaldo, um promissor português de 18 anos trazido do Sporting.

 

A história mostra o que Cristiano Ronaldo virou no Manchester e no futebol mundial, enquanto Kléberson patinava nos Diabos Vermelhos. A rápida transformação na vida do garoto do interior, combinada a insistentes e sucessivas contusões, minaram a trajetória de Kleb em Old Trafford, até ele sair de lá para o Besiktas, em 2005, e, dois anos mais tarde, para o Flamengo.

 

O segundo grande período de Kléberson foi entre 2008 e 2009. Não repetiu o brilho da primeira grande fase, mas bastou para ajudar a levar o Flamengo a uma Libertadores, ganhar um Carioca e um Brasileiro. Pessoalmente, reconduziu Kléberson à Seleção, e aí o acaso ajudou. Sem poder atender à convocação para o amistoso com a Estônia, por contusão, recebeu de Dunga a estranha promessa de que estaria na Copa, uma dessas maluquices que se faz em clube, não numa seleção brasileira. E lá foi Kléberson para sua segunda Copa do Mundo, quase como um estranho no ninho, presente em campo apenas por alguns minutos contra o Chile.

 

Não há dúvida de que recontratar Kléberson é um grande negócio. A reação da torcida atleticana é de aprovação quase unânime. Um clube precisa de ídolos e vitórias para levar público ao estádio. Kléberson é um ídolo e, pelo menos nos primeiros jogos, terá muito atleticano indo à Arena só para vê-lo. A dúvida é o quanto o Atlético pode contar com ele para conseguir vitórias e títulos.

 

Assusta que em dez anos Kléberson tenha jogado em alto nível por três deles. Claro, quando jogou valeu a pena. Mas e os outros sete anos? Na Baixada, Kléberson terá o carinho da torcida, conhece a cidade, conhece o clube. Só resta saber se ele ainda tem fôlego e bola para conseguir a terceira primavera da sua carreira e dar aos atleticanos recordações mais recentes do Xaropinho do que aquelas congeladas em 2002.

This entry was published on 11 de fevereiro de 2011 at 12:22. It’s filed under Por dentro dos fatos... and tagged , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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