Dá gosto de ver Paulo Baier jogar. Ele não é um craque. Sua maestria está em descobrir atalhos. Em um futebol cada vez mais corrido, Baier faz o simples: pensa. O raciocínio tira os zagueiros acéfalos do caminho, economiza energia, garante as vitórias. Paulo Baier dá exemplo para qualquer profissão, faz lembrar que a inteligência ainda prevalece sobre o vigor e a intensidade.
Escrevi o parágrafo acima em 7 de fevereiro. No dia seguinte, ele estava publicado na minha coluna da Gazeta do Povo. Gosto do Paulo Baier. A história dele é exemplar. Era um lateral limitado, que chegou ao fundo do poço com uma suspensão por doping. A partir dali, sua carreira decolou.
À beira dos 30 anos, trocou a lateral pelo meio, foi ídolo no Criciúma e no Goiás. Tornou-se tão cobiçado que foi até contratado pelo Palmeiras. No Atlético, a empatia foi imediata, graças aos seus gols, seus passes perfeitos e sua garra legitimamente rubro-negro. E como se não bastasse tudo isso, o cara ainda tem aquela pinta simpática de tiozão churrasqueiro. Aposto que Baier é tão bom no tempero da costela e no corte da picanha como é na bola parada.
Mas sábado deu aflição ver Paulo Baier jogar. O ambiente já era hostil por natureza, a torcida do Palmeiras é magoada pela má passagem dele pelo Palestra. Mas Baier tem tarimba e bola para superar tudo isso. Ainda assim, jogou mal. Errou passes bobos, demonstrou nervosismo em algumas jogadas. Repetiu o roteiro dos últimos jogos. Tanto que o Atlético melhorou quando ele saiu.
É justamente a este ponto que eu quero chegar. Concordo com o discurso do Adilson Batista na sexta-feira, de que não dá para sair queimando qualquer jogador. E queimar Paulo Baier é uma ingratidão pela importância dele para o Atlético de 2009 para cá. Mas hoje, talvez manter Paulo Baier no time seja queimá-lo. O lançamento não é mais tão preciso, a perna demora um segundo a mais para assimilar a ordem do cérebro, ele não está lá para dar o tapa salvador na bola.
Paulo Baier ainda pode ser muito importante para o Atlético, mas para isso precisa de um tempo para si mesmo. O Riva tinha um programa especial de treinamento para Baier e ele voava em campo. Não sei esse programa ainda existe. Se a resposta for não, seria bom recuperá-lo. Uma bem aproveitada passagem pelo banco é que o maestro rubro-negro precisa para tirar mais uma vez o time das últimas posições do Brasileiro.
