A demissão de Ricardo Pinto e a fábrica tricolor de técnicos

A demissão de Ricardo Pinto vem na hora errada. Errada porque já deveria ter ocorrido antes. Ricardo ainda precisa ganhar mais experiência antes de pegar um rabo de foguete como o Paraná atual. Deveria ter sido trocado logo após o Paranaense. Poderia ser pior. O clube poderia levar um turno inteiro para se convencer da aposta ruim, mas de qualquer maneira já perdeu três rodadas.

Falei com o Ricardo Pinto. Ou melhor. Liguei para ele. Ricardo estava bastante tranquilo, mas não quis falar muito sobre a demissão. Algo até compreensível, considerando que a diretoria prometeu para amanhã acertar os débitos com o treinador. Assunto que os próprios dirigentes abordaram na reunião em que o técnico foi demitido. E não há por que duvidar após a comemorada negociação de Diego para a Traffic.

O que não muda com a saída de Ricardo Pinto é a necessidade que o Paraná ainda tem de profissionalizar a gestão do seu futebol. A diretoria queria vitória nas três primeiras rodadas. Isso com o time ainda em formação e jogadores estreando. Não dá para cobrar do treinador a incapacidade – ou falta de condições financeiras – de começar uma competição com o elenco montado e os jogadores aptos a entrar em campo.

Agora, com a possibilidade de manter a folha de pagamento em dia e com o elenco montado (ainda falta um centroavante), o clube passa a oferecer as condições mínimas para exigir algo do próximo treinador. A questão é saber como escolhê-lo. Aramis Tissot já deu declarações evocando o discurso de que o Paraná  revelou muitos técnicos e o clube seguirá essa tradição. Alto lá, presidente!

A lista de apostas em treinador no Paraná tem seus sucessos (de Geninho a Marcelo Oliveira), mas também seus fracassos (de Edu Marangon a Perrô). Escrevi sobre isso no dia 10 de março de 2009, lá no Arquibancada Virtual. Era o momento em que Velloso chegava em meio ao mesmo discurso ufanista. Recuperei o que havia escrito na época e atualizei com quem veio depois. Observem.

Bem no Paraná e decolou
Geninho – Não era um técnico em início de carreira. Pelo contrário, já era bem rodado. Mas foi a campanha do título da Copa JH de 2000 com o Paraná que deu impulso à sua carreira. Dali para o Santos, onde foi semifinalista do Paulista, e para o Atlético, onde foi campeão brasileiro. Geninho virou técnico de ponta. Hoje já embicou para baixo.

Bonamigo – Carbone, sucessor de Geninho, foi um fiasco, e o Paraná foi buscar Bonamigo, este sim um iniciante. Vice-campeão estadual de 2002 e quadrifinalista da Copa do Brasil, foi levado pelo rival Coritiba, onde viveu o melhor momento da carreira, em 2003. Chegou ao Palmeiras, mas desde então vem rolando ladeira abaixo.

Caio Júnior – Teve sua primeira chance no Paraná entre 2002 e 2003. Livrou o clube da degola no Brasileiro, mas quase caiu no Paranaense. Sua grande campanha foi em 2006, quando levou o Paraná à Libertadores. Virou técnico emergente, passou por Palmeiras, Flamengo, Japão e hoje está no Botafogo.

Cuca – Comandou o Paraná nos dez primeiros jogos de 2003 e deixou saudade, com um time rápido e envolvente. Ajudou a montar o São Paulo que seria campeão da América e do Mundo em 2005, fez bons trabalhos no Goiás e no Grêmio, idem no Botafogo. Foi mal no Coritiba e no Santos, mas ganhou novo fôlego ao livrar o Fluminense do rebaixamento em 2009. Faz bom trabalho no Cruzeiro.

Adílson Batista – Sua passagem também foi curta pelo Paraná, em 2003. Quando começava a ganhar fama de técnico para livrar time de rebaixamento (salvou Grêmio, Paysandu e Figueirense), foi para o Japão. Voltou no Cruzeiro, onde virou técnico de ponta. Demitido de Santos e Corinthians, também vai mal no Atlético.

Marcelo Oliveira – O último a entrar na lista. O Paraná foi seu segundo trabalho como treinador efetivo e levou o time a liderar a Série B. É o técnico do Coritiba em um dos melhores momentos da história do clube.

Fracassou na Vila e decolou

Gílson Kleina – Conseguiu terminar suas duas passagens no Paraná com exatamente o mesmo aproveitamento, 20,83%. Rodou o país, sempre em times pequenos ou, no máximo, grandes de estados periféricos (vide Sampaio Correa). Tem seu melhor ano, com boas campanhas na Ponte Preta no Paulista e no início da Série B e proposta do Fluminense. Carece de mais tempo para mostrar que realmente decolou e não apenas arremeteu.

Deu certo na Vila, mas não decolou

Barbieri – Foi campeão estadual em 2006 pelo Paraná. E só. Agora pode até voltar.

Zetti – Fez um trabalho bom no Tricolor, com uma campanha digna na Libertadores e o vice-campeonato estadual. Começou bem o Brasileiro-2007, mas aceitou uma proposta do Atlético-MG. De lá para cá, não deu certo em lugar nenhum (inclusive na sua segunda passagem pelo Tricolor, em 2009). Ainda precisa decidir se é técnico de futebol, comentarista ou dono de escola de goleiros.

Roberto Cavalo – Não era um novato quando chegou ao Paraná pela primeira vez, em 2009. Fez boas campanhas de recuperação nas duas últimas Séries B, mas ajudou a montar o time rebaixado no Estadual deste ano.

Quem não decolou
Edu Marangon – Veio substituir Adílson Batista em 2003. Ficou poucos jogos, não deixou saudade e não emplacou. Tem trabalhado no interior paulista.

Saulo de Freitas – O eterno bombeiro tricolor. Nunca deu resultados consistentes na Vila Capanema. Seu trabalho mais positivo foi no Rio Branco, em 2007.

Pintado – Indicado por Zetti, veio com a aura de discípulo de Telê Santana. Pelo Paraná, conseguiu perder para o América-RN em casa. Caiu com o Figueirense em 2008 e com o Santo André em 2010. Fez um bom Paulista no Linense.

Perrô – Revelação do Paranaense de 2008, do qual foi semifinalista com o Toledo, pegou o Paraná na Série B. Nas suas mãos, o time aproximou-se perigosamente da Série C. Voltou a trabalhar no interior do estado.

Velloso – Chegou em 2009. Até começou bem, vencendo um Paratiba, mas rapidamente saiu da briga pelo título estadual de 2009.

 

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