Com todo o respeito às várzeas e às zonas do Brasil, a várzea do recall dos títulos do passado virou uma zona. Manuel da Lupa, presidente da Portuguesa, quer ver os dois Rio-São Paulo vencidos pelo clube em 1952 e 1955 serem elevados à condição de Brasileiro. Isso, você pega um regional e transforma em nacional.
Não espalhem, mas o primeiro a contar essa piada foi o Ubiratan Leal, vizinho de bancada aqui na revista ESPN e responsável pelo Balípodo, linkado na lista aí do lado. Luís Augusto Símon, o Menon, vizinho da esquerda da mesa, gostou do chiste e passou adiante, no blog da firma. Todos rimos, pois a coisa toda não é para ser levada a sério, ou não deveria. Manuel da Lupa gostou da ideia e agora transformou em bandeira.
Pois já que é para esculhambar, acho que os times paranaenses também podem mandar remanufaturar alguns títulos. Bem conversado, sairemos da CBF com mais quatro conquistas nacionais. Vejamos.
Torneio dos Campeões
Em 1968, primeiro ano de Robertão, a CBD realizou torneios regionais, Centro-Sul e Norte-Nordeste. O Grêmio Maringá venceu o Centro-Sul e partiu para o duelo com o Sport. Despachou o Leão com duas vitórias por 3 a 0. O próximo passo era enfrentar o Santos, campeão da Taça Brasil. Empates por 1 a 1 e 2 a 2 e o Peixe desistiu do jogo-desempate, pois havia agendado amistosos no exterior.
O Galo foi automaticamente classificado para pegar o Botafogo, campeão do Robertão, valendo o título do torneio e vaga na Libertadores de 1969. Mas antes de a bola rolar para o primeiro jogo, a CBD desistiu de mandar brasileiros para a Libertadores. O Fogão desinteressou-se pela disputa e aceitou dar o troféu para o Galo. Um título nacional legítimo, com direito a triunfos sobre dois dos grandes títulos da época.
Torneio do Povo
A lógica era simples: o time mais popular de cada um dos seis estados mais fortes do futebol brasileiro. Um paulista, um fluminense, um gaúcho, um mineiro, um paranaense e um baiano. A primeira fase era um hexagonal e a fase decisiva, um quadrangular, ambos em turno único. Em 1973, na terceira edição do torneio, o Coritiba derrotou o Flamengo duas vezes, bateu o Corinthians em outra oportunidade e derrotou o Atlético-MG em Minas. Fechou a campanha na Fonte Nova, contra o Bahia, com um empate por 2 a 2. Mais um título nacional legítimo.
Febrafu
Para ocupar o calendário das equipes eliminadas do Campeonato Brasileiro de 1997, a CBF e o SBT organizaram o Festival Brasileiro de Futebol. O torneio foi quase todo realizado em Campo Grande. Contou com o São Paulo, então bicampeão mundial e sul-americano; o Corinthians, que venceria os dois brasileiros seguintes; o Botafogo, campeão nacional de 1995, entre outros.
O Coritiba venceu os três jogos da primeira fase, contra Rio de Janeiro (hoje CFZ), Vitória e São Paulo. Do outro lado avançou o Botafogo. O Coxa conseguiu levar o jogo para o Couto Pereira. E após um eletrizante 3 a 3, conquistou o título nos pênaltis, por 7 a 6. Aliás: por que o Coxa gosta de conquistar títulos nacionais empatando, hein? Enfim, mais um título nacional legítimo.
Seletiva
Dois anos depois do Febrafu, a CBF mais uma vez decidiu ocupar o calendário de fim de ano dos clubes que iam caindo no Brasileiro. A diferença é que a Seletiva dava uma vaga na Libertadores de 2000 e a participação era obrigatória para quem caía no Brasileirão.
Eliminado na primeira fase da Série A, o Atlético começou sua caminhada na seletiva contra a Portuguesa. Levou 3 a 1 no Canindé, recuperou-se com um 2 a 0 na Arena.
Segunda fase, Atletiba. A virada por 4 a 1 sobre o rival no Couto Pereira encaminhou a classificação, mesmo com a derrota por 2 a 1 no primeiro clássico entre os dois na Arena.
Quartas de final, Internacional como adversário. Em Porto Alegre, empate por 1 a 1. Na Arena, vitória por 2 a 1, vingando a primeira derrota da história do estádio e deixando o clube a quatro jogos do título e da Libertadores.
Na semifinal, duelo com o São Paulo, que havia caído nesta mesma fase do Brasileiro. Com a Arena fechada para um show (acho que foi Sandy & Júnior. Foi mesmo?), a partida foi para o Couto Pereira. Vitória atleticana por 4 a 2 e a chance de classificar-se até com derrota por um gol no Morumbi. E foi o que aconteceu. Com Flávio inspirado, o Furacão perdeu por 2 a 1, mas seguiu em frente.
Na decisão, mais um vez o primeiro confronto em Curitiba. Lucas comandou a vitória por 3 a 0 sobre o Cruzeiro. O 2 a 2 no Mineirão só consolidou a conquista rubro-negra e a vaga na Libertadores. Mais um título nacional legítimo.
Quatro taças conquistadas com muito esforço, derrubando gigantes do futebol nacional. Só falta o carimbo do “dotô” Ricardo Teixeira.
O DONO DESTE BLOG ADVERTE: NÃO LEVE A SÉRIO ESSE POST. OS TÍTULOS FORAM BACANAS E LEGÍTIMOS, MAS NÃO SÃO UM BRASILEIRÃO. CADA MACACO NO SEU GALHO.