Após alguns dias treinando na Vila Capanema, Lima foi contratado pelo Paraná. É o tipo de negócio que me deixa sempre com o pé atrás.
As pessoas tendem a puxar pela memória os grandes momentos do jogador e Lima teve vários. Foi muito bem no Coritiba, um dos grandes responsáveis por o time ser campeão paranaense invicto de 2003 e conseguir vaga na Libertadores do ano seguinte.
No Atlético, uma performance extraordinária na Libertadores de 2005. Como se isso não bastasse, conquistou a torcida ao cobrar o último pênalti na final do Paranaense, contra o Coritiba, e fazer um dos gols no segundo Atletiba do Brasileiro-2005: 2 a 1, no Couto Pereira.
Os botafoguenses também têm ótimas lembranças do Falso Lento. Jogou muito com a camisa alvinegra em 2006, tanto no Carioca quanto no Brasileiro. E parou por ali. O Paraná contratou um jogador que há quatro anos não faz uma boa temporada. Não quer dizer que vai dar errado, mas a chance de dar certo é menor.
Independentemente do desempenho, Lima aumentará uma lista que já não dá mais para fazer de cabeça, de jogadores que defenderam Coritiba, Atlético e Paraná. Na minha conta ele é o 12º. Listo os outros 11 e convido os visitantes a usar a caixa de comentários para dizer se faltou alguém.
Pedrinho Maradona
Foi o primeiro a completar o circuito. Revelado pelo Atlético, Pedrinho ganhou o apelido famoso ao marcar um antológico gol contra o Vitória, na Fonte Nova, em 1987, similar ao “Gol do Século” feito por El Diez contra a Inglaterra, na Copa de 1986. Sem se firmar no Rubro-Negro, Pedrinho foi para o Guarani, depois voltou ao estado em 1990, como primeiro reforço da história do Paraná Clube. No ano seguinte, fechou o trio de ferro ao defender o Coritiba.
Vica
Mais um integrante do supertime do Coritiba em 1989, Vica ganhou o estadual daquele ano e foi vice na temporada seguinte, embora as lesões o tenham atrapalhado bastante. Depois foi ao Paraná, ajudar o clube a começar a construir sua hegemonia na década. Em 1993, já sem a mesma forma de antes, disputou parte da temporada pelo Atlético.
Serginho
O Cabeção começou sua trajetória no trio de ferro defendendo o Coritiba. Foi campeão estadual em 1989, era um dos destaques daquele time. No fim do ano seguinte, foi para o Paraná em uma negociação polêmica, com direito a acusações de que estaria fazendo corpo-mole. No Tricolor, venceu o Paranaense-91 e a Série B-92. Fechou o ciclo no Atlético, em 94, sem destaque.
Marquinhos Ferreira
Revelação da Platinense nos anos 80, defendeu o Atlético no fim da década – caiu com o time em 1989. Pelo Paraná, seus melhores momentos, campeão estadual em 1991 e da Série B em 1992. Fechou o trio com o Coritiba, em 95. Foi peça importante no retorno à Primeira Divisão nacional.
Pachequinho
Uma das grandes revelações da história alviverde, o ponta-esquerda driblador permaneceu no clube até 1996. No ano seguinte, defendeu o Atlético no Brasileiro. Fechou o trio de ferro em 1998, com uma curta e esquecível passagem pelo Paraná.
Luís Carlos Mattos
Começou sua trajetória pela capital defendendo o Paraná, em 1995 – trabalhou com Vanderlei Luxemburgo no Tricolor. Da Vila Capanema seguiu para a Baixada, formou no Atlético sexto colocado do Brasileiro-96. Pelo Coritiba, em 99, cansou de perder gols, mas ainda assim foi titular durante o Nacional daquele ano.
Edinho Baiano
É o único que pode dizer que deu certo jogando nos três clubes. Afinal, é o único jogador campeão por Coritiba, Atlético e Paraná. No Tricolor, Edinho foi titular em quatro dos cinco títulos do penta (94, 95, 96 e 97). Da Vila o zagueiro seguiu para a Baixada, onde ajudou o Atlético a encerrar a espera de oito anos por um troféu estadual. Passagem pelo Japão, uma passada no Vitória e Edinho desembarcou no Coritiba. Foram três anos de Alto da Glória e mais um Paranaense, invicto, como capitão, em 2003.
Alexandre
O rápido meia-atacante-perdedor-de-gols-do-Iraty começou seu périplo pelo Atlético, em 2000. Integrou o Ventania, que segurava as pontas enquanto o Furacão disputava a Libertadores daquele ano. Em 2002, Alexandre chegou à Vila Capanema. Disputou o Brasileiro daquele ano pelo clube. Três anos mais tarde, ele jogou parte do Nacional pelo Coritiba. Sua saída durante a disputa causou mal-estar na relação entre o Coxa e o presidente do Iraty, Sérgio Mallucelli.
Renaldo
Ele tinha tudo para repetir a trajetória de Edinho Baiano. Afinal, despontou no Atlético como goleador e estrela isolada dos times ruins de doer formados na Baixada entre 1992 e 1993. Voltou ao estado uma década depois, no Paraná, para disputar até a última rodada a artilharia do Nacional com Dimba. Em 2005, foi tirado da Vila Capanema pelo Coritiba, em uma negociação rumorosa, envolvendo até promessa de cessão gratuita do Couto Pereira ao Tricolor. Renaldo fez gol logo na estreia, contra o São Caetano, marcou outro contra o Internacional, no Beira-Rio, e… não fez mais nada de útil, até ter seu contrato rescindido antes ainda do rebaixamento. Ah, sim, o jogo com o Inter, apitado por Edilson Pereira de Carvalho, foi anulado e jogado novamente. Assim, para as estatísticas, Renaldo fez um só gol pelo Coxa.
Reginaldo Vital
Vital surgiu no Paraná em momento ruim, fim dos anos 90. O Tricolor já não era mais hegemônico no estado, começava a revelar menos jogador. Volta olímpica mesmo ele foi dar pelo Atlético, em 2002, no Supercampeonato, após passar um bom tempo no futebol japonês. Depois teve problemas particulares, foi considerado acabado para o futebol. Deu a volta por cima pelo Coritiba, campeão paranaense em 2004. No ano seguinte, porém, caiu com o clube para a Série B. Nos últimos anos tem defendido o Urano, principal potência da Suburbana de Curitiba.
Paulo Miranda
Sem dúvida, uma das grandes revelações do futebol paranaense nos anos 90. Pegou parte do pentacampeonato do Paraná, clube que o revelou. Em 1997, acabou no Atlético após uma polêmica negociação intermediada por Juan Figer. Titular rubro-negro no título estadual de 98, seguiu para a França, onde teve boa passagem pelo Bordeaux, com direito a alguns vindas esparsas para o Brasil. Fechou o trio de ferro em 2006, no Coritiba. Após um bom começo, desmoronou com o restante do time na fracassada tentativa de voltar para a Primeira Divisão.