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Um banco para Baier

Dá gosto de ver Paulo Baier jogar. Ele não é um craque. Sua maestria está em descobrir atalhos. Em um futebol cada vez mais corrido, Baier faz o simples: pensa. O raciocínio tira os zagueiros acéfalos do caminho, economiza energia, garante as vitórias. Paulo Baier dá exemplo para qualquer profissão, faz lembrar que a inteligência ainda prevalece sobre o vigor e a intensidade.

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O juiz errou, mas o Atlético pediu para perder

Vi algumas vezes o lance que decidiu Corinthians x Atlético. Confesso que tive toda a boa vontade do mundo com Marcelo de Lima Henrique para tentar achar um pênalti ali. Não consegui, pois ele simplesmente não existiu.

Ainda antes de a bola chegar, Alan Bahia dá um cutucão em Souza com o braço esquerdo, que vai um pouco para a frente, mas volta à posição normal. Mas quando a bola vem, nem isso. Alan Bahia no máximo dá outro cutucão leve em Souza, que desaba como uma jaca. Certamente sabia que Marcelo de Lima Henrique é daqueles que, quando convém, marcam pênalti a qualquer esbarrão, o famoso pênalti à brasileira, definido pelo Mauro Cezar Pereira. Dito e feito.

No primeiro tempo, o árbitro já havia cometido outro erro absurdo ao expulsar Paulo Baier. O camisa 10 do Atlético leva um esbarrão de Elias mais acintoso que o de Alan Bahia em Souza. E o juizão marcou falta para o Corinthians e expulsão Baier. No máximo cabia uma falta, mas nem lance para cartão amarelo era.

Ali, o que já era difícil para o Atlético ficou ainda mais complicado. Com 11, o Rubro-Negro havia deixado clara a intenção de se retrancar e aproveitar algum vacilo do Corinthians para chegar ao gol. No primeiro tempo deu certo, Wágner Diniz achou um gol de falta. No segundo, não.

Aí, entra a culpa do Atlético na derrota. Quando o time opta por simplesmente se defender, assume o risco de ser massacrado o tempo todo e a obrigação de ser perfeito tanto ao conter os avanços inimigos quanto nas poucas chances de atacar. E nunca, nunca pode tomar gol de contra-ataque.

O Atlético não levou gol de contra-ataque, mas perdeu seu goleiro em um lance assim. Abriu a defesa como se a vantagem estivesse do outro lado. Neto, no desespero típico de um goleiro ainda em maturação, saiu da área em um desnecessário carrinho suicida. Lembrou Guilherme, outro guri que pegou no gol atleticano em 2007. Foi bem expulso e obrigou o time a desistir de atacar.

Logicamente, a derrota teve peso decisivo da atuação de Marcelo de Lima Henrique. Mas isso não deve servir de desculpa para o Atlético não enxergar os seus erros e a sua atuação covarde em boa parte do jogo.

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