
Do Flickr de Fabio Adriano (http://flickr.com/photos/fabioadriano
Admito que não imaginava ver o Coritiba chegar tão bem aos 101 anos. A forma como o clube desabou para a Série B no 6 de Dezembro, vítima da insanidade de parte da torcida e da incompetência covarde e populista de seus dirigentes, sem casa, sem dinheiro, sem rumo, projetava um 2010 infernal, marcado muito mais pela luta para permanecer na Segunda Divisão do que voltar para a Primeira.
A realidade deste 12 de outubro de 2010 é bem diferente e por isso deve ser valorizada. Em duas horas o Coritiba entra em campo líder da Série B, fazendo cálculos de quando irá voltar para a Série A. Claro que isso não aconteceu por acaso.
Não sou de elogiar dirigentes de futebol. Considero que, em regra, são como elefantes na loja de cristal: entram cheio de pompa, chamam a atenção, mas invariavelmente cada passo seu é desastrado e causa um estrago tremendo.
A diretoria atual do Coritiba, porém, merece elogio. Com pouco dinheiro, fez as escolhas certas. São poucas as contratações que deram errado e quem ficou do ano passado (Ney Franco incluído) comprou a ideia de que reerguer o Coxa seria bom para todos. O clube pôs a organizada no seu devido lugar, deixa claro o tipo de torcedor que quer ao seu lado. Bancou uma política impopular de ingressos, para valorizar o plano de sócios e garantir uma receita fixa ao clube – como nem tudo é perfeito, reafirmo que o Couto Pereira ainda não tem conforto que justifique um ingresso tão salgado.
O Coritiba voltará à Primeira Divisão bem melhor do que em 2007. Primeiro porque volta realmente unido, aquela união que só é possível quando se chega ao fundo do poço, não a união calcada na arrogância que tanto prejudicou o clube. Também porque volta com os pés no chão, sem o deslumbramento que assombrou a gestão coxa-branca nas administrações de Giovani Gionédis e na primeira de Jair Cirino – hoje, presidente só no papel.
Hoje, mais do que um feliz aniversário, o Coritiba merece um feliz renascimento.
O show de Vital
Para completar, um vídeo. Não é de um jogo de 12 de outubro, mas é de um Coritiba na Série B contra um adversário alvirrubro. O jogo é Coritiba 5 x 0 Mogi Mirim, dia 26 de novembro de 1995, pescado da página dos Helênicos no Youtube. Era a primeira rodada do quadrangular final da Segundona daquele ano. O Coxa, curiosamente, havia chegado até ali graças ao Mogi.
Uma semana antes, já desenganado, o Coritiba bateu o eliminado Ceará, em Fortaleza, por 2 a 0, mas precisava que o Remo, em casa, não derrotasse o Mogi, classificado e sem oito titulares. O jogo do Coxa acabou uns dez minutos antes e todos os jogadores se juntaram no gramado, em torno do Edu Brasil, da Rádio Clube, para saber o que acontecia em Belém. A B-2 havia entrado em cadeia com a Rádio Clube do Pará, que transmitia a massacrante pressão azulina, barrada por Aílton Cruz, goleiro do Sapão. O jogo acabou 0 a 0, o Coxa seguiu e encarou o Mogi uma semana depois.
O nome do jogo foi Vital, um centroavante ruim de doer, talvez um dos piores que já vestiram a camisa alviverde nas duas últimas décadas. Pois Vital estava iluminado. Fez quatro gols e deu um passe magistral para o quinto, de Pachequinho.
O camarada Rodrigo Fernandes, hoje editor de Esportes da Gazeta do Povo, na época fazia cursinho e conta ter visto, na manhã seguinte, Vital dormindo em um dos bancos de madeira ali da Vicente Machado, perto da zona… digamos, boêmia, da cidade. Mas, depois de fazer quatro gols, Vital mereceu a putaria que o levou até o banco da praça.